Luiz
Gonzaga em cordel
Por Ivaldo
Batista
Amigo Luiz
Gonzaga
Majestade
do baião
Tu estás na
eternidade
Também no
meu coração
Vou contar
a tua vida
Peço a
vossa permissão
Ele é filho
do sertão
De Exu é
natural
Foi em 1912
Dezembro
que é mês final
Dia 13 o
nascimento
No lindo
mês do natal
De
Pernambuco é natural
Araripe sua
região
Exaltou o
pajeú
E cada
parte desse chão
Todo povo
agradecido
Sempre
lembra o Gonzagão
Lembro da
tua canção
Do xote
maracatu
Da toada e
do xaxado
A feira de
caruaru
Com ritmo bem
nordestino
És flor de mandacaru
Que sucesso
lá no sul
Este ano é
o centenário
Vamos
homenagear
Um homem
quase lendário
Que está
impregnado
Em todo
nosso imaginário
Cantou para
o operário
Do campo da
construção
Cantou
missa do vaqueiro
Tocou noites
de São João
Homenagem a
Juazeiro
Do padre
Ciço Romão
Conheço o
Gonzagão
É sem fim
essa História
Começa com
um sanfoneiro
Do sertão
que vai embora
Na cidade
com saudade
Sertanejo
senta e chora
Lembra da
vida de outrora
De Exu sua
cidade
Sua música
sua casa
Revela
identidade
Cantou e
interpretou
Com grande capacidade
Com cem
anos de idade
Sertanejo
nordestino
Sai de casa
logo cedo
Quando
ainda era menino
Foge da
seca medonha
O sudeste é
seu destino
Com roupa
de Virgolino
Exaltou
todo sertão
Decantou a
asa branca
Assum preto
e o azulão
Acauã e o
carcará
Que voa
feito avião
E o jumento
nosso irmão
Falou bem
dos animais
Sofrendo na
terra seca
Ele não
esqueceu jamais
Nas casas
as plantações
Existente
em seus quintais
Respeitou
sempre seus pais
Sua mãe
dona Santana
Ana Batista
de Jesus
Ai que
légua tão tirana
Ah se Deus
do céu quisesse
Inda hoje eu via Ana
Luiz cabra
bacana
Teve ao
todo oito irmãos
Com saudade
da terrinha
Fez ABC do
sertão
Tocando sua
sanfona
Exaltou a
tradição
Por que
essa judiação
Sabiá já
não entoa
O sertão
esturricado
Não caiu
uma garoa
A ave sem
esperança
Dá o aviso
e logo voa
Do choro
faz uma lagoa
O remédio é
cantar
Tocando o
sanfoneiro
Até o dia
raiar
Se um dia a
chuva cai
Ele pensa
em voltar
Por
enquanto é só penar
Quando veio
do Bodocó
Sua vida
era difícil
Amargou
feito jiló
Procurando
a sua sorte
Que saudade do xodó
Deixo um
beijo pra Filó
Sua vida
foi dureza
Muita luta
e persistência
Alcançou
uma riqueza
Cantou os
temas mais simples
Inclusive a
natureza
Seu exemplo
foi beleza
Estando lá
no roçado
Ou no topo
de sua fama
Pelo tempo
coroado
Esse gênio
da cultura
Mereceu
esse reinado
Apesar de
ter penado
Como todo
bom vaqueiro
Coração
feito manteiga
Sucesso no
estrangeiro
É exemplo a
ser seguido
Pelo povo
brasileiro
Sua roupa
de cangaceiro
Um dia ele
trocou
Pela paz
entre as famílias
O vaqueiro
ele abraçou
Amor e
ecologia
Tudo isso ele cantou
Bons
parceiros ele encontrou
Gravou
Humberto Teixeira
João Silva
Nelson Valença
Importante
em sua carreira
Zé Dantas e
Zé Marcolino
Foi sucesso
a vida inteira
Em Samarica
parteira
Foi escola
para vida
Nas terras
onde passou
Sempre
arrumou guarida
Cantou a
mulher de hoje
Com uma
arma é atrevida
Gonzaga
sempre convida
A andar
nesse país
Guardando
as recordações
Descansar e
ser feliz
Lembrando
os seus caminhos
Quando
ainda era aprendiz
Um resumo
aqui eu fiz
De temas os
mais contados
Seu Luiz
cantou o homem
A lavoura e
o roçado
O soldado e
o padre
E também vida de gado
Não esqueço
o delegado
Eu não
gosto de fuá
E do verde
papagaio
Nem do pano
de bilhar
O sertão
meu Araripe
Qualquer
dia vou voltar
De joelho
pra rezar
Pede chuva
pro sertão
Pois foi lá
no pé de serra
Que ficou
seu coração
Sem água o
mato seca
Lá se foi a
plantação
Aprendi a
divisão
Você tem
que me voltar
Dezessete e
setecentos
Quando
Anselmo ia tocar
Com as
vozes lá da seca
Ensinou a
protestar
Lula pode
governar
Gonzaga do
nascimento
Em sua
simplicidade
Através do
ensinamento
De tuas
sábias palavras
Ou no som do instrumento
Na apologia
ao jumento
Reconheço
teu valor
Tens saber
e experiência
Na vida tu
és doutor
Com exceção
de Januário
És o maior
tocador
Olha pro
céu meu amor
Pernambuco
te agradece
Por
cantares nossas cidades
Tua música
nos enobrece
Nos versos
dos teus poemas
Nossa gente
é quem mais cresce
Nem aqui se
eu quisesse
Podia me
esquecer
Quando
ainda adolescente
Viu amor
florescer
Nazinha foi
proibida
Ele teve
que correr
É novela
prá TV
Um romance
inacabado
O amor foi
proibido
Pelo
Raimundo Delgado
Luiz foi
prá Fortaleza
No Exército alistado
Como todo
bom soldado
Ele sabia
tocar
De sargento
a coronel
A ordem é
respeitar
Foi exemplo
para todos
No serviço
militar
Sua sina
era cantar
Lutou por
um ideal
Quando veio
de sua terra
Sua cidade
natal
Trouxe a
sua bagagem
Prá lidar
na capital
Foi um bom
profissional
Há
instantes de tormento
Mas o homem
é sertanejo
Não se
abala com lamento
Não desiste
da idéia
E nem foge
um só momento
Foi assim
seu crescimento
No teatro
apresentou
Nas músicas
em parcerias
O sucesso
ele alcançou
No Brasil e
no estrangeiro
Gonzagão se consagrou
O reinado
então chegou
Gonzaga é
venerado
Os artistas
nordestinos
Parecem ter
copiado
A receita
do sucesso
Desse rei
eternizado
Todo
artista afamado
Sabe um
xote ou um baião
Do filho de
Januário
Todos
lembram uma canção
Vamos bater
palmas agora
Prá seu
“Lua” o Gonzagão
Um orgulho
prá nação
Dessa
pátria mãe gentil
És o eterno
cantador
Nesse mundo
varonil
Obrigado
por cantares
Os encantos
do Brasil
O mundo
todo ouviu
O que
Gonzaga cantou
Toda a
população
Aplaudiu
por que gostou
E uma
escola de artistas
Luiz Gonzaga formou
O mestre se
projetou
Em toda
essa geração
Uns
trilharam seu caminho
Ou até na
contra mão
Seguindo o
seu exemplo
Ou pela inspiração
Faço aqui a
relação
Pra você
continuar
Com outros
possíveis nomes
Você aí vai
lembrar
Nesse
cordel tão pequeno
É
impossível citar
Tem Caetano
e Alcymar
Pra cantar
pelo Brasil
O Zé
ramalho e a Elba
Djavan
Gilberto Gil
Ivan Ferraz
Marinês
Por essa
trilha seguiu
Todo o
Nordeste já viu
Santana o
cantador
Excelente
Alceu Valença
Gonzaguinha
sem rancor
O grande
Raimundo Fagner
Todos sabem seu valor
Teve o
grande seguidor
Nosso
mestre Dominguinhos
Ainda hoje
em Recife
É lembrado
com carinho
Lá no Clube
da SUDENE
Ele tem o
seu cantinho
Nosso Jorge
de Altinho
Esse grande
forrozeiro
Seu Geraldo
Azevedo
E o Jackson
do pandeiro
Flávio José
Rei do Xote
Conquista o
mundo inteiro
Viva nosso
sanfoneiro
Na vida de
um moi de fã
Gonzaga
está presente
Ontem hoje
e amanhã
No Brasil
de Norte a Sul
Somos parte desse clã.

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